Ilustração de um avião em voo com gráficos de custo e preços ao fundo, simbolizando a pressão sobre a aviação comercial antes das férias.
Ilustração de um avião em voo com gráficos de custo e preços ao fundo, simbolizando a pressão sobre a aviação comercial antes das férias.

A alta no preço do combustível e a pressão fiscal colocam o setor em xeque, um contexto útil para um colega que acompanha o mercado de viagens.

Aviação sob pressão antes das férias Fluxo da história e fatos principais

Com as férias de julho se aproximando, o setor aéreo enfrenta um momento de tensão entre demanda aquecida e custos em disparada. A alta de quase 70% no preço do querosene de aviação e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, incluindo o fechamento do Estreito de Ormuz, forçaram companhias a reavaliar previsões e ajustar ofertas de voos. A Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) reduziu sua projeção global de lucro de 41 bilhões para 23 bilhões de dólares em 2026, com margens líquidas caindo para 2,0%. No Brasil, a situação é agravada pela Reforma Tributária, que pode elevar o preço das passagens domésticas em 23% e as internacionais em 26%, com impacto direto na competitividade do setor.

A demanda, no entanto, continua resiliente. A taxa média de ocupação atingiu 84%, recorde histórico, e quase metade dos passageiros pretende gastar mais em viagens nos próximos meses. Apesar disso, o crescimento da receita por passageiro (9,2%) supera o aumento na demanda (2,1%), indicando que as companhias estão repassando custos via preços. O lucro por passageiro caiu para 4,50 dólares, metade do valor registrado em 2025.

A pressão sobre os custos operacionais é generalizada: a conta com combustível deve saltar de 252 bilhões para 350 bilhões de dólares em 2026, representando 31,4% do total. Ao mesmo tempo, a flexibilidade financeira das companhias latino-americanas é limitada, com altos custos de captação e depreciação cambial amplificando os riscos. A cadeia de suprimentos também enfrenta restrições, com recordes na carteira de pedidos e nos valores de arrendamento de aeronaves.

A Iata alerta que, sem ganhos de eficiência operacional, aumentos tarifários podem desestimular a demanda. No Brasil, a Reforma Tributária em discussão prevê alíquota de 26,5% sobre passagens, com pouca possibilidade de compensação para voos internacionais. Isso pode reduzir a demanda em até 30%, especialmente em um país com potencial subutilizado: apenas 0,5 viagem anual por habitante, muito abaixo de mercados como Espanha e Portugal. O setor pede tratamento fiscal competitivo para não comprometer seu crescimento futuro.

Fatos

  • A previsão de lucro líquido do setor aéreo global caiu de USD 41 bilhões para USD 23 bilhões em 2026.
  • O preço do combustível de aviação subiu quase 70%, elevando os custos operacionais para 31,4% do total.
  • A taxa média de ocupação dos voos atingiu recorde de 84% em 2026.
  • A Reforma Tributária no Brasil pode aumentar o preço das passagens domésticas de US$ 130 para US$ 160 e as internacionais de US$ 740 para US$ 935.
  • A Iata estima que a alta tributária pode reduzir a demanda por voos no Brasil em até 30%.
  • O lucro líquido por passageiro caiu para US$ 4,50, metade do valor registrado em 2025.

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