Ilustração de um cofre europeu com setas a direcionar moedas para um centro tecnológico nos EUA, enquanto startups locais observam com preocupação.
Ilustração de um cofre europeu com setas a direcionar moedas para um centro tecnológico nos EUA, enquanto startups locais observam com preocupação.

Apenas 0,02% do capital de pensões europeu vai para venture capital, um dado útil para um colega que acompanha inovação e políticas de investimento.

Poupança de reforma europeia financia inovação nos EUA Fluxo da história e fatos principais

Os fundos de pensão europeus estão a gerir cerca de 9 biliões de euros em ativos, mas apenas entre 0,01% e 0,02% são alocados a capital de risco europeu. Em contraste, os fundos norte-americanos destinam cerca de 2% dos seus ativos a este tipo de investimento, o que representa uma diferença de 100 vezes. Essa subexposição estrutural faz com que grande parte da poupança de reforma europeia acabe por financiar inovação nos Estados Unidos, especialmente através de índices passivos globais que incluem empresas como Apple, Microsoft e Nvidia.

A regulamentação europeia acentua esta lacuna. Ao contrário do que acontece nos EUA com o esclarecimento do "homem prudente" da ERISA, que permite investimentos em capital de risco como parte de uma gestão prudente, a Europa não tem um quadro equivalente. A diretiva IORP II é interpretada de forma restritiva, e a Solvência II impõe encargos de capital de 49% para ações não cotadas, tornando o investimento em startups proibitivamente caro para seguradoras e fundos de pensão.

Além disso, a fragmentação regulamentar entre os 27 Estados-Membros dificulta compromissos pan-europeus, enquanto os fundos norte-americanos operam num mercado unificado. Embora iniciativas como a francesa Tibi, o Mansion House Compact no Reino Unido e a WIN na Alemanha mostrem que é possível mobilizar capital, a maioria dos países europeus, incluindo Portugal, ainda não tem políticas semelhantes. Sem mudanças estruturais, a inovação europeia continuará a depender do capital que escapa para o exterior.

Fatos

  • Em 2023, os fundos de pensão dos EUA investiram mais de 11 vezes mais em capital de risco do que os europeus.
  • Os fundos de pensão europeus alocam entre 0,01% e 0,02% dos seus ativos a capital de risco, contra 2% nos EUA.
  • A Solvência II impõe um encargo de capital de 49% para ações não cotadas na Europa, tornando o investimento em startups mais caro.
  • Só o CalPERS (EUA) gere um portfólio de private equity de 68,7 mil milhões de dólares, superior ao total do setor português de fundos de pensão.
  • 18% dos fundadores europeus experientes criaram empresas nos EUA em 2025, com 66% citando o acesso ao capital como fator principal.

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