Ilustração de uma sala de aula à beira-mar com estudantes observando o oceano, enquanto setas indicam a transição entre educação, avaliação e ação comunitária.
Ilustração de uma sala de aula à beira-mar com estudantes observando o oceano, enquanto setas indicam a transição entre educação, avaliação e ação comunitária.

O conhecimento sobre o oceano avança, mas a mudança de comportamento ainda não foi medida — um colega que acompanha sustentabilidade pode ver o contexto também.

Portugal lidera em educação oceânica, mas não mede impacto Fluxo da história e fatos principais

Portugal é um dos países europeus mais ativos na promoção da literacia do oceano, com programas educativos em vigor desde os anos 1990. Iniciativas como a Escola Azul, O MARE Vai à Escola e CIIMAR na Escola demonstram uma forte mobilização nacional. Um novo estudo, integrado numa obra científica da Springer Nature, destaca esta experiência acumulada como referência internacional, alinhada com as recomendações da ONU para a Década do Oceano.

No entanto, as investigadoras alertam para uma falha crítica: apenas cerca de 30% dessas iniciativas foram avaliadas quanto ao seu impacto real em mudanças de comportamento. Sem medições consistentes, é impossível saber se o conhecimento transmitido se traduz em ações concretas de conservação marinha. O ativismo ambiental é apontado como a dimensão menos explorada, correndo-se o risco de a literacia se tornar um exercício teórico.

Como solução, o estudo propõe os 'Living Labs' — ecossistemas de inovação aberta que envolvem cientistas, comunidades e decisores políticos. Um caso analisado é o projeto Quinta Ciência Viva do Sal, que mostra como o conhecimento local em salinas artesanais pode ser potencializado com ferramentas de cocriação. Apesar do potencial, muitos ainda confundem esses laboratórios com espaços de comunicação simples, em vez de plataformas para inovação sustentável.

Fatos

  • Portugal tem programas de literacia do oceano desde 1990, como a Escola Azul e CIIMAR na Escola.
  • Apenas 30% das iniciativas de literacia do oceano em Portugal foram avaliadas quanto ao impacto em comportamento.
  • O ativismo é a dimensão menos explorada na literacia do oceano nacional.
  • O projeto Quinta Ciência Viva do Sal é um exemplo de Living Lab que integra ciência e comunidades locais.
  • Living Labs são frequentemente mal compreendidos como meros espaços de comunicação, não de inovação.

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