
A inversão no défice habitacional é um passo concreto, com um contexto útil para um colega que acompanha o mercado imobiliário.

Portugal inverte défice habitacional Fluxo da história e fatos principais
Portugal registou, em 2025, a primeira inversão no défice de novas habitações em 11 anos, segundo o Boletim Económico de junho do Banco de Portugal. Após uma década em que a construção não acompanhou o crescimento populacional — acumulando um défice de cerca de 300 mil fogos —, o saldo entre novas casas e formação de novos agregados passou a positivo. Este ajuste resultou da convergência entre uma imigração líquida reduzida (de 13,2 mil para 6,2 mil pessoas por mês) e um aumento na oferta, com 26,7 mil fogos concluídos e 41,9 mil licenciados em 2025, o valor mais alto desde 2008.
Apesar do avanço, o Banco de Portugal alerta que o défice histórico ainda pesa fortemente no mercado, mantendo preços e rendas elevados. O governador Álvaro Santos Pereira reforçou a necessidade de continuar a aumentar a oferta, especialmente em habitação social, cujo parque é um dos menores da OCDE. O banco também destaca que o crescimento dos preços não foi impulsionado por expansão do crédito, que subiu 22,2% entre 2019 e 2025, muito abaixo dos 86% nas transações imobiliárias.
O estudo ainda descarta a existência de uma bolha imobiliária, argumentando que a evolução paralela entre preços e rendas — ambas com aumento de cerca de 88% e 81%, respetivamente — reflete fundamentos de mercado sólidos. Técnicos do banco central apontam ainda barreiras estruturais no setor, como licenciamentos morosos, escassez de mão de obra e um parque empresarial altamente fragmentado, onde 98% das empresas são micro ou pequenas.
Fatos
- Em 2025, Portugal inverteu o défice de novas habitações pela primeira vez em 11 anos, segundo o Banco de Portugal.
- O défice acumulado na última década é de cerca de 300 mil fogos, equivalente ao parque habitacional de Lisboa.
- Em 2025, foram concluídos 26.700 fogos e licenciados 41.900, o nível mais alto desde 2008.
- A imigração líquida caiu de 13.200 para 6.200 pessoas por mês entre 2024 e 2025.
- Entre 2019 e 2025, os preços de imóveis subiram 86%, enquanto o crédito habitação cresceu apenas 22,2%.
- O Banco de Portugal afirma que não há bolha imobiliária, com preços e rendas evoluindo em paralelo.
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